Sem querer afirmar a necessidade de se ter um dia especial para comemorar a existência ou o “Ser Mulher”, cabe reconhecer que, de fato, muitos espaços outrora ocupados exclusivamente por homens, estão sendo conquistados por elas, em especial nos últimos cem anos e isso, sim, deve ser comemorado.
Na literatura não foi diferente... Sabe-se que a Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897, só passou a aceitar mulheres no seu seleto grupo de acadêmicos oitenta anos após sua fundação. Foi somente em 1977 que a escritora cearense Rachel de Queiroz, já homenageada pela Academia Passo-Fundense de Letras em livro produzido a partir do Concurso Literário realizado em 2010, foi empossada como primeira mulher imortal da ABL.
No entanto, a Academia Passo-Fundense de Letras tem em sua história a presença de mulheres desde sua fundação, em 1938. As professoras Lucila Vieira Schleder e Odette de Oliveira Barbieri participaram dos atos de criação do Grêmio Passo-Fundense de Letras, entidade cultural que, em 1961, se transformaria na atual Academia Passo-Fundense de Letras. Lucila, que, em 1936 fora escolhida a 1ª Miss Passo Fundo, depois de casada passou a assinar Lucila Vieira Schleder Ronchi.
Atualmente, dentre seus quarenta membros efetivos, onze são mulheres. São elas por ordem de ingresso: Craci Terezinha Ortiz Dinarte, Elisabeth Souza Ferreira, Helena Rotta de Camargo, Santina Rodrigues Dal Paz, Dilse Piccin Corteze, Selma Costamilan, Marilise Brockstedt Lech, Sueli Gehlen Frosi, Marisa Potiens Zilio, Pia Helena Zancanaro Borowski e Sônia Loguércio.
Com todas suas qualidades, como dedicação, criatividade, comunicação, etc., essas mulheres elevam o nome da APLetras. Ao mesmo tempo em que atuam como poetisas, educadoras, filósofas, historiadoras, líderes comunitárias e escritoras, elas, paralelamente, em em nome da APLetras, desenvolvem projetos como Concursos Literários, APLetras nas Escolas, Semana das Letras, Cafés Filosóficos, saraus, debates ao vivo, nas rádios locais e programas de TV, campanhas de arrecadação e distribuição de livros, produção e lançamento de livros, participação nas Jornadas Literárias e Feiras do Livro, publicação de crônicas em jornais e revistas, etc. Estas dinâmicas mulheres orgulham a APLetras e a cidade de Passo Fundo.
Parabéns a estas e a todas as mulheres que, a seu modo, dignificam sua existência e que neste dia são homenageadas.
Marilise Brockstedt Lech
Cadeira 39 da APLetras
Psicóloga Educacional e Professora da UPF
Doutoranda em Educação na PUCRS