Mario de Miranda Quintana

Mario de Miranda Quintana nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 30 de julho de 1906. Filho do farmacêutico Celso de Oliveira Quintana e de Virgínia de Miranda Quintana, viveu sua infância em sua cidade natal. Na adolescência, mudou-se para Porto Alegre, estudou no Colégio Militar, publicando seus primeiros escritos na revista da escola. Ingressou no jornalismo no ano de 1928, no Estado do Rio Grande do Sul. Mudou-se para o Rio de Janeiro, depois de ter participado da Revolução de 1930, retornando a Porto Alegre em 1936, onde trabalhou na Livraria do Globo, que depois tornou-se Editora Globo, traduzindo grandes nomes da prosa e da poesia internacional. No Correio do Povo, tornou-se o grande cronista de Porto Alegre, cidade que muito amou até sua morte em 1994, quando estava com 88 anos de idade.

Conhecido como o “poeta das coisas simples”, foi um escritor modernista, jornalista e tradutor brasileiro de muitas obras de escritores renomados como Proust, Balzac, Virginia Woolf, Maupassant, Voltaire, dentre outros. É considerado um dos maiores poetas do século XX. Em 1980, Mario Quintana recebeu o “Prêmio Machado de Assis” da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra literária. Neste ano também publicou “Esconderijos do Tempo” considerado um dos melhores livros de poesia brasileira do último quarto do século passado. Alguns dos mais belos poemas escritos pelo autor podem ser encontrados neste volume, onde ele parece assumir sua personalidade singular ao entregar-se totalmente a imaginação como forma de questionar e enriquecer o mundo real, em poemas que tematizam a passagem do tempo e o caráter fugaz dos sentimentos e das sensações. Na abertura do livro, “Lili inventa o mundo” Mario Quintana dá o recado ao leitor: “As pessoas sem imaginação podem ter tido as mais imprevistas aventuras, podem ter visitado as terras mais estranhas. Nada lhes ficou. Nada lhes sobrou. Uma vida não basta ser apenas vivida: também precisa ser sonhada”. E assim, pelas mãos desse poeta, a rotina, as coisas simples, os acontecimentos do dia-a-dia, a natureza, as pessoas, os animais são reinventados, saem do lugar comum. O Inverno é um vovozinho trêmulo, com a boina enterrada até os olhos, a manta enrolada nos queixos e sempre resmungando: “Eu não passo deste agosto, eu não passo deste agosto…” A leitura de Lili inventa o mundo coloca a criança e o leitor de qualquer idade diante da possibilidade de viver a experiência de sonhar.

Em 14 de novembro de 1984, o poeta Mario Quintana escreveu para a revista Isto É: “...Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão...Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade".

Nasci no rigor do inverno, temperatura de um grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a Isaac Newton! Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de autossuperação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão, introspectivo.

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.”

Por fim, em “Poeminho do Contra” um dos seus poemas mais famosos, Mario Quintana utiliza uma linguagem singela e se vale de exemplos do cotidiano para transmitir reflexões profundas carregadas de sabedoria. Diz o poema: Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho, eles passarão...eu passarinho! A composição impregna mensagens de otimismo e esperança, nos convida a continuar lutando, a resistir, apesar de todos os obstáculos no caminho. Além disso, o poema faz menção de que mesmo quando tudo parece estar perdido, é preciso confiar e acreditar em si e na vida. Deste modo, o poeta ressalta as capacidades humanas de resiliência, da importância de otimizar os recursos de vida, especialmente em situações difíceis. Diz Mario Quintana: “Uma vida não basta ser apenas vivida: também precisa ser sonhada.”

 

 

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