Acrósticos à APLetras

Gomercindo dos ReisEste acróstico foi uma homenagem de Gomercindo dos Reis em 07/04/1961, pela instalação, da Academia Passo-fundense de Letras:


A Academia
Avante, brasileiros, para a frente,
Com os cursos primários, secundários,
A instruir o forasteiro, e a nossa gente,
Dando Academia e grêmios literários!
Eleva, ó rio-grandense, a nossa terra,
Maravilhosa, aos píncaros da glória!
Invicta, vai além, na paz se aferra,
Altiva e já com as palmas da vitória!

Pára e contempla a nossa pátria, agora:
As Campinas, seriemas a cantar...
Seus ranchos, o tropeiro estrada afora,
Sua gloriosa Bandeira a tremular,
Os campos, os trigais, a lua da aurora!
Feliz do homem que tiver um dia,
Um trator, a mulher, o sol e a lua...
Não precisa falar na Academia,
Dizer a prosa, ou verso, que extenua.
No comércio, na indústria, na pecuária,
Saberá lutar e vencer na vida,
Em Batalha gloriosa e voluntaria!
Dá a tua alma, dá o teu peito varonil,
E avante, pelas glorias do Brasil!

Lutar e repelir o mau poder,
Esse que ao povo e a pátria causa danos,
Tratarás na tua memória até morrer!
Rui Barbosa já disse, há muitos anos:
A força do direito há de vencer
Sobre o direito da força dos tiranos!...



O seguinte acróstico dedicado ao presidente Celso Fiori e demais confrades que elaboraram os Estatutos da Academia Passo-fundense de Letras Gomercindo dos Reis em 07/04/1961:

Os estatutos
Para lutar, subir, ser dos primeiros,
Redigir Estatuto ou Catecismo,
Em toda parte existem timoneiros
Severos, sempre cheios de idealismo!
Irmanados, avante, brasileiros,
Dando exemplo de união e de civismo!
Eu vejo alguns dinâmicos pioneiros,
No leme, a dirigir, com heroísmo;
Tendo ainda pela frente alguns nevoeiros,
Estão desviando a barca de um abismo!

Cabe ao digno confrade, ao Presidente
Eleito, e a todos nós da Academia,
Leva-la sempre avante, para frente,
Sem faltar às sessões e ouvir um dia
O acadêmico falando a pouca gente...
Digno confrade e amigo hoje disperso,
Atende o meu apelo feito em versos:

Com fé, com esperança e persistência,
Unidos e a lutar, com galhardia,
Nenhum revés nos deterá a existência
Honrosa e útil esta academia,
A sua marcha gloriosa, em evidência!

Falando a todos, em reunião festiva,
Irmanado hoje e pelo tempo a fora,
Oferto um verso à nossa gente altiva,
Rogando a Deus que a Academia, agora,
Imite aquela flor, a sempre viva!...


Ata de reunião

Sabino SantosDurante a presidência de Sabino Santos (1955-1956), o então segundo secretário, Sady Machado da Silva, conhecido poeta gaúcho, que naquela época também desempenhava as funções de reitor do Instituto Educacional de Passo Fundo, registrou em verso a sessão número 224 em 5/10/1956 (livro nº 3):

Aos cinco dias de outubro
É coisa que não encubro,
Reuniu-se está agremiação,
Foi às vinte horas, exato,
E, aqui faço um relato,
De que ouve na ocasião.

O presidente Sabino
Calmo e sem perder o tino,
Declara aberta a sessão,
E, para a ordem do dia,
Vimos nós que ele insistia,
Chamando a nossa atenção.

Nesta altura, o Dorival,
Prestimoso e sem rival,
Serviu-nos um cafesinho,
Os trabalhos foram indo,
Um chegando outro saindo,
Porém tudo de mansinho.

O local, sede do Grêmio
Que nos foi dado por prêmio,
É ali na biblioteca;
Por isso semanalmente,
Mais alguém e o presidente
Vão bater a sua “seca”.

Presentes naquele dia,
Onde houve paz e harmonia,
Estiveram seis gremistas;
Assinaram o livro-ponto,
Um a um assim eu conto,
Estando o livro às minhas vistas.
Sabino e Cesar dos Santos,
Jurandir e mais três tantos,
Sendo um deles Reissoly;
Deram quorum à sessão,
Que, em nova convocação,
Teve Pindaro e Sadi -.

O estatuto aprovado,
Deixou-nos atrapalhado,
Com três cargos a preencher;
Um segundo tesoureiro,
Um idem idem livreiro
E um dito para escrever.

E a escolha foi assim:
O ultimo foi assim,
O 2º secretário;
Sussembach, tesoureiro,
Irmão Gelasio, livreiro
Ou seja, Bibliotecario.

A posse foi ali mesmo,
Ninguém ficaria a esmo,
Ou sem palavra sensata;
E, na ausência do Braguinha,
Deram-me a tarefinha
De rabiscar esta ata.

O Presidente declara,
Que recebeu e andara,
Correndo como avestruz,
Para ver se conseguia,
O que outro grêmio pedia,
O Grêmio do “Osvaldo Cruz”.
Querem êles novo curso,
Pois que ninguém vai ser “urso”,
Num gesto assim, magnífico;
E nós pedimos também,
Que o Grêmio diga amém,
A este curso científico.

Claro deve ser noturno,
Pois já temos discurso diurno,
No IE e no Conceição;
Este é uma necessidade,
Para que a mocidade,
Aumente a sua instrução.

Que eu me lembre, foi só isso,
Que, em português “castiço”
No Grêmio se realizou;
Não tendo mais nada em mão,
Os trabalhos da sessão,
O Presidente encerrou.

Eu 2º secretário,
Tomei nota do horário,
Nove e meia disse o sino;
Foi isso que ali vi,
Eis a data que escrevi,
Agora, dato e assino.



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